Obesidade: Uma abordagem científica

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Prof. Ms. Guilherme de Agostini

 

Atualmente a obesidade pode ser considerada como uma das principais ameaças à saúde no mundo, alcançando o status de patologia isolada. Para combatê-la, necessita-se da abordagem multidisciplinar, através da atuação de diversos profissionais da saúde. Entretanto para erradicá-la, deve-se primeiro compreendê-la. O processo de entendimento da obesidade passa por: (1) classifica-la; (2) conhecer suas determinantes biológicas e psicológicas e, (3) os métodos de tratamento.

 

Classificação da obesidade

 

Em 1998, a organização mundial de saúde propôs a mais recente classificação da obesidade adulta. Para tal, valores do IMC (Kg/cm2) foram padronizados (WHO,1998). Entretanto, pesquisas recentes demonstraram que a disponibilidade abdominal também deveria ser considerada nesta avaliação, uma vez que a forma, a medida de circunferência da cintura (NIH,1998) foi aderido ao IMC.

 

 

Determinantes biológicos e psicológicos

 

 

Embora a obesidade possa ser determinada por alterações das condições ambientais, uma variabilidade do tamanho e da composição corporal provavelmente seja o resultado duma herança metabólica (Salbe & Ravussin, 2003).

 

 

Desta forma, os fatores determinantes da obesidade podem ser classificados em:

 

(1)   Determinantes metabólicos,

(2)   Influências genéticas e comportamentais.

 

Segundo Salbe & Ravussin (2003), os determinantes metabólicos incluem a ingestão e o gasto da mesma. Nos dias de hoje, a ingestão de energia não se limita mais somente a quantidade calórica total da dieta, mas também a densidade calórica, bem como, a quantidade de gorduras na dieta. Baseado na premissa que as pessoas alimentam-se tendo como parâmetro o volume, uma dieta rica em gorduras pode possuir mais que o dobro da densidade calórica que uma de carboidratos (Bellet al.,1998).

 

Já para o gasto de energia outros fatores que os já conhecidos:

 

(1)   Taxa metabólica de repouso,

(2)   Efeito térmico dos alimentos e,

(3)   Gasto energético da atividade física espontânea e do exercício também contribui no processo do gasto energético.

 

Dentre outros, os baixos níveis de oxidação de gorduras, a sensibilidade a insulina, a atividade do sistema nervoso simpático e a concentração de diversos hormônios e neuro peptídeos: T3 e T4, Leptina, neuropeptídeo Y,  POMC, etc… a também influenciam o gasto energético diário (Salbe  & Ravussin, 2003). Baseado nos determinantes acima citados, quanto maior o número de pesquisas sobre metabolismo na obesidade, maior também o número de descoberta dos fatores que a determinam. Muitos dos determinantes metabólicos acima citados sofrem influência genética (Comuzzie & Alisson, 1998). Num trabalho realizado pelo mesmo autor, foi concentrada ligação significativa entre o percentual de gordura corporal, o gasto energético de 24 horas e, a taxa de oxidação de gorduras, em relação a diferentes regiões do genoma.

Vários fatores ambientais e comportamentais também podem desencadear a obesidade, sendo que esses podem variar desde condições socioeconômicas até a percepção da imagem corporal; da ordem dos cuidados infantis recebidos ao nascimento; e desde o nível de educação materna ao número de horas que se passa dormindo a noite (Salbe & Ravussin, 2003).

 

Métodos e tratamento

 

Os métodos de emagrecimento devem primeiramente respeitar os determinantes da obesidade. Problemas de desequilíbrio energético causados pela grande ingestão de calorias e/ou pela inatividade devem ser tratados dieta e pelo exercício físico. Entretanto, pessoas com problemas emocionais que aceleram esse desequilíbrio energético necessitam realizar terapias com o objetivo de controlar tal estado de ansiedade. Entretanto, em muitos casos, problemas patológicos e/ou obesidades mórbidas necessitam de intervenção médica, assim o tratamento farmacológico e/ou cirúrgico se faz necessário.

 

 

Conclusão

 

Baseado nas informações anteriores torna-se importante a necessidade de um conhecimento especializado em relação à obesidade e o emagrecimento, uma vez que, os fatores que a determinam e os métodos de intervenção não param de crescer. Investir no conhecimento teórico e na prática da prevenção e tratamento, talvez seja nossas mais valiosas ferramentas contra essa epidemia.